COM BILLIE, MIKE E AL SOBRANTE, LEIA RARA ENTREVISTA DA BANDA EM 1990

Atualizado: 28 de Fev de 2019

Essa entrevista foi feita pela Flipside Magazine e nela se encontram alguns raros relatos dos membros da banda sobre seus primeiros anos, a fase “heavy metal” e sobre como ela já era mais bem sucedida do que eles poderiam imaginar no ano de 1990.



Não é fácil ser o Green Day!


Green Day é uma banda relativamente nova do norte da Califórnia. Eles tem aquela habilidade única de transformar o que seriam músicas pop bregas em coisas legais e emocionantes. Não muito diferente de All e dos primeiros tempos do 3 O’Clock, mas soando muito mais jovem e contemporâneo.


Esses caras são realmente muito bons ao vivo e já tem 2 discos fodassos lançados (1000 Hours Ep e 39/Smooth, na Lookout! Records). Eles têm também uma integridade punk bastante sincera que é nada menos do que a cereja no bolo para mim. Grande banda – assista-os!


Primeira pergunta: vocês são do norte de São Francisco, certo?

Billie Joe: Crockett, Rodeo e El Sobrante – é de lá que viemos, o lado oeste do país.


Vocês fazem parte da cena de Berkeley?

John: Bem, existe meio que uma cena em cada um…

Billie Joe: Uma cena caipira, caipiras malvados, é assim que é a maioria dos nossos fãs.


Isso os deixa de lado da cena típica de Berkeley?

Mike: Eu não acredito que exista uma “cena típica de Berkeley”.

John: Sim, existe, nós podemos tocar uma festa por aí e não correr o risco de sermos mortos onde outras seriam. Uma banda chamada Harbingre Complex tocou na minha escola e o time de futebol simplesmente virou a van deles! Já faz um tempão. Então minha ex-banda, Isocracy, tocou lá. Eles não viraram a nossa van, no entanto havia uma grande roda punk e o diretor da escola teve de subir no palco e pedir para todos pararem! E eu não estou fazendo muito sentido a gora, então faça a próxima pergunta…




Vocês já eram uma banda antes do John entrar, mas não se chamavam Green Day…

Billie Joe: Sim, nós meio que tocávamos uns covers podres de metal, isso era tipo na 7ª série. Nós nos chamávamos Truant!

John: E Então mudaram para Blood Rage!

Billie Joe: Deixa pra lá. Eu e ele (Mike) estávamos apenas fazendo jams juntos durante anos e conhecemos John em uma festa.

John: Lenrry havia acabado com a Isocracy e…

Billie Joe: Nós íamos chutar nosso velho baterista da banda porque ele era muito fraco…

John: Então, eu fui até eles e disse: “posso entrar na sua banda porque eu não tenho mais nenhuma?”. Então Martin e Jason (Isocracy) foram embora de cara e eu estava em uma nova banda. Isso era num domingo. Nós ensaiamos na terça e na quarta e tocamos um show na sexta.

Mike: Na Davis Veterans Hall. Nós nos chamávamos Sweet Children.

John: Nós mudamos o nome para Green Day porque havia outra banda com Sweet no nome e seria meio louco, então mudamos o nome.

Billie Joe: Nós também não gostávamos muito do nome.

John: O EP 1000 Hours estava para sair e eu imaginei que seria melhor mudar o nome antes. É um nome idiota de qualquer forma. Nós fomos de um nome idiota para outro. Mas ao menos é um nome idiota que não será confundido com outro por aí.


Bem, Green Day é o nome de uma de suas músicas, sobre o que ela trata? Fumar maconha? Sério? Cara!

Billie Joe: E por aí vai, na realidade alguém jogou um baita baseado no palco enquanto estávamos tocando.


E como é a letra da música?

Billie Joe: Está no disco.


Mas eu ainda não tenho o disco!

John: Você quer que nós a cantemos para você? (eles começaram a cantar a música e, claro, eu não pude ouvir a letra)… nós não a tocamos mais.

Billie Joe: Bom, nós não a tocamos muito seguido.

John: É uma música difícil de tocar.


Então vocês foram do Heavy Metal ao Pop Punk. É isso que vocês gostam de fazer?

Billie Joe: Bem, apenas evoluímos. Tentamos um monte de coisas diferentes e enjoamos de tocar metal, porque não era assim tão interessante.

Mike: Tentamos de verdade ser uma banda de thrash-punk uma vez, mas decidimos que não tínhamos talento suficiente para isso.

Billie Joe: não tínhamos realmente o gosto para ser uma banda de hardcore então começamos a fazer isso. Eu nem queria cantar e acabei sendo o vocalista! Eu não tive escolha.

John: Nós meio que somos as bandas de fácil aceitação do Gilman. Billie recebeu uma carta de amor no palco esta noite. Eu vi um coraçãozinho nela.

Mike: Hey, faça algumas cópias dessa carta!

Billie Joe: Eu Não recebi carta…



Muitas de suas músicas são sobre relacionamentos menino/menina?

Billie Joe: Sim, eu não poderia cantar sobre destruir o governo ou coisas do tipo, pois eu não sei muito sobre isso.

Mike: Sobre garotas nós sabemos.

Billie Joe: Sim, essa é a maior frustração da minha vida. Garotas.

John: Uma vez nós apanhamos de uns skinheads em Sacramento e, de repente, ele teve outra frustração na vida


Porque vocês apanharam?

Billie Joe: Eles se exaltaram porque nós tocamos muitas canções de amor.

John: Enquanto tocávamos nossas musicas de amor, houve uma briga no show. Então a polícia apareceu e colocou todos pra fora. Após isso, nós estávamos carregando nossa van os skinheads voltaram para bater em quem eles estavam batendo antes, com tacos de beisebol… Mas a pessoa não estava mais lá… Então convenientemente nós tomamos o seu lugar.

Billie Joe: A maioria das músicas é sobre ser aceito como pessoa – sentimentos pessoais e coisas do tipo.


Qual a idade de vocês?

Mike: Ele (Billie) tem 18, eu tenho 17.

John: Espere, nós podemos fazer isso usando álgebra. Ano passado eu era 3 anos mais novo do que sou agora e, nossas idades combinadas somavam 36, então, adivinhe que idade eu tinha dois anos atrás…

Billie Joe: Nós poderíamos, mas não importa. Ele (John) é o único velho na banda.


Você é o “velho”, mas não pode legalmente comprar cerveja?

John: Isso!


No entanto, vocês estavam bem bêbados essa noite!

John: Eu!? Você estava bem mais bêbado que eu!


É você quem escreve todas as músicas Billie?

Billie: Basicamente, a maioria. John escreveu uma chamada I Was There


Que é sobre surfar, provavelmente?

John: Não, é sobre estar triste sobre o passado – é uma daquelas músicas atuais do Aaron Elliot. Ele disse “essa música é sobre memórias, cara?” e então ele disse, “Essa música é a melhor!”. É sobre ver o The Germs nos anos 60!! Eu estou tentando te falar isso nos termos de L.A., ou como esse flyer que você tem na parede…


New York Dolls…

John: Yeah, é como um show do New York Dolls. É sobre seu passado, não é dizer que era melhor lá atrás, mas, sim sobre sua estrutura de referência. Eu ainda estou balbuciando, não estou…?

Billie Joe: As músicas são sobre as frustrações de todo dia…

John: Ele é um cara frustrado.

Billie Joe: Eu acho que sim.

John: At The Library – música de garota. Rest – música de garota…

Billie Joe: Rest é sobre absolutamente nada…

John: “Can’t you hear me, I’m calling your name…is it hello of goodbye” me diz que isso não é música de garota!

Billie Joe: Seria se eu estivesse dizendo daquele jeito, mas eu estou dizendo “that cleem in urize” (ele soletrou), veja que não significa nada.



Vocês estão para lançar esse novo LP, ele é uma boa representação do que o Green Day é?

Billie Joe: Está tudo certo, vai funcionar. A capa é realmente bonita. O nome é “39 Smooth”.

Mike: Foi nomeado em homenagem ao irmão do Billie porque nós gravamos no dia que ele completou 39, e ele é um cara tranquilo.

Entrevistador: Oh meu Deus!

Mike: Ele é o cara que está nos vendendo essa van.


Vocês estão na Lookout! Records. Estão felizes com o Mr. Livermore?

Billie Joe: Yeah.


Por quê?

Billie Joe: Porque ele é honesto e é um cara legal. Ele nos fez tocar com o Mr. T. (Kamala entra na van).

Kamala: Que tipo de sexo vocês gostam de ter?

Billie Joe: Não acredito em sexo.

Entrevistador: O que? Você está numa banda de músicas picantes de amor e…

Billie Joe: Eu gasto de garotas mas não gosto de transar…

Entrevistador: Por isso que você é frustrado!

Billie Joe: Se eu transasse nós ficaríamos sem material pra banda!

Mike: Começaríamos escrevendo merdas frágeis e mudaríamos pro heavy metal de novo.

Kamala: Ei, espere, você provavelmente nem sabe como é transar.

Billie Joe: Eu não, embora…

Entrevistador: A banda pop inocente.

John: Nossas músicas não são sobre sexo, não cantamos sobre sexo.

Mike: Eu não sei, quando Billie canta uma das músicas ele consegue uma ereção?

Billie Joe: Eu não!

Mike: Você insinua isso.

John: Mas nós não cantamos sobre sexo, não somos como os Mentors ou algo assim, é mais inocente.


Algo mais na linha do All?

John: All? Somos como isso?

Kamala: Esses caras nunca reivindicaram transar com uma garota cada noite da tour. Isso é o que o baterista do All faz. Eu não vejo como alguém poderia transar com aquele macaco. Eu não me importo com o que ele diz…


Vocês estarão em turnê logo logo…

John: Yeah, nós estamos começando a turnê em 18 de junho e precisamos de shows em 22, 23 e 24 de junho! Estaremos em Iowa.


O que vocês fazem além da banda? Ouvi que alguém trabalha abrindo ostras?!

Mike: Eu abro ostras para pessoas que precisam de uma ajuda extra. Eu sou cozinheiro no Nan Tucket – o Nan-fuck-it!

John: Billie não trabalha…

Billie Joe: Yeah, eu gosto de dormir até as 2. Então, toco minha guitarra e então vou pra escola a noite. Eu vou pra essa escola uma vez na semana, uma hora na semana.

John: Eu costumava dirigir um caminhão de coletas de fraldas usadas. Era ruim, era muito ruim.


Qual o próximo passo para a continuidade do sucesso do Green Day?

John: Eu acho que estamos mais bem sucedidos do que já planejamos ser. Muitas bandas têm planos para fazer sucesso e não acho que fizemos isso.

Billie Joe: Tim Yohannan não nos deixava tocar no Gilman de primeira porque éramos pop demais!


Não pode estar falando sério! (Incrédulo)

Billie Joe: Sim! Mas após isso, John se juntou a banda e como Tim gostava de Isocracy ele nos deixou tocar.

John: Não, na verdade Tim não tinha relação com o Gilman quando começamos a tocar, mas ele disse que se cantássemos letras políticas nós estaríamos na capa da MRR. Ele gosta da música, mas não das letras.


Por que você não canta letras políticas? Você não se importa com nada que esteja remotamente ligado a isso?

Billie Joe: Bem, sim, mas não é nosso estilo. Eu não sei. Apenas não escrevemos. Há garotas lá fora!

John: Letras políticas não são fáceis de surgir como eram quando eu era mais novo.

Entrevistador: Você não está tão chateado como você estava.

John: Ainda estou chateado. Estou mais confuso…

Kamala: Parece que muitas bandas que cantam letras políticas hoje em dia, o fazem apenas porque é a coisa legal a se fazer. Não é uma coisa que eles acreditam verdadeiramente. Nada que eles realmente se importam. Apenas algo que eles tem que fazer porque eles sentem a pressão da comunidade do punk rock para cantar letras políticas, porque é isso que os punk rockers fazem. O qual é verdade, de certa forma, mas eu acho importante ter uma visão alternativa.

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