• António Faneca

FATHER OF ALL... - ALÉM DA MÚSICA #2

Os anos passam, mas a banda favorita de Deus continua marcando cartas na música, se preparando agora para lançar o seu décimo-terceiro álbum de estúdio, em fevereiro de 2020.


Depois de um Revolution Radio bem recebido pela crítica e pelos fãs em geral, o lançamento oficial da faixa Father of All... veio revelar uma nova tendência do grupo.


Trazendo consigo algumas das caraterísticas memoráveis dos primeiros trabalhos do Green Day - faixas curtas, agressivas e bem aceleradas - Father of All... agrega ainda novos experimentos em termos de sonoridade, construção lírica e vocais.


Neste artigo vamos explorar a faixa-título desse álbum e tentar refletir sobre a nova abordagem criativa que Green Day está propondo para seu projeto de estúdio mais recente.

A Letra

Original


I woke up to a message of love

Choking up on the smoke from above

I'm obsessed with the poison and us

What a mess, because there's no one to trust


Huh-uh, come on, honey

Huh-uh, count your money

Huh-uh, what's so funny?

There's a riot living inside of us


I got paranoia, baby

And it's so hysterical

Crackin' up under the pressure

Looking for a miracle

Huh-uh, come on, honey

Lyin' in a bed of blood and money

Huh-uh, what's so funny?

We are rivals in the riot inside us


I'm impressed with the presence of none

I'm possessed by the heat of the sun

Hurry up 'cause I'm making a fuss

Fingers up 'cause there's no one to trust


Huh-uh, come on, honey

Huh-uh, count your money

Huh-uh, what's so funny?

There's a riot living inside of us


I got paranoia, baby

And it's so hysterical

Crackin' up under the pressure

Looking for a miracle


Huh-uh, come on, honey

Lyin' in a bed of blood and money

Huh-uh, what's so funny?

We are rivals in the riot inside us

Huh-uh, come on, honey

Lying in a bed of blood and money

Huh-uh, what's so funny?

We are rivals in the riot inside us

Huh-uh, come on, honey

Lying in a bed of blood and money

Huh-uh, what's so funny?

We are rivals in the riot inside us

Oh, yeah

Tradução


Eu acordei com uma mensagem de amor

Sufocando com a fumaça de cima

Estou obcecado pelo veneno e por nós

Que bagunça, pois não há ninguém em quem confiar


Huh-uh, venha, querida

Huh-uh, conte sua grana

Huh-uh, o que é tão engraçado?

Há um caos vivendo dentro de nós


Eu tenho paranóia, amor

E é tão histérica

Pirando sob pressão

Procurando por um milagre


Huh-uh, venha, querida

Deitado em uma cama de sangue e dinheiro

Huh-uh, o que é tão engraçado?

Somos rivais no caos dentro de nós


Estou impressionando com a presença de ninguém

Estou possuído pelo calor do sol

Se apresse, pois estou criando uma confusão

Dedos levantados, porque não há ninguém em quem confiar


Huh-uh, venha, querida

Huh-uh, conte sua grana

Huh-uh, o que é tão engraçado?

Há um caos vivendo dentro de nós

Eu tenho paranoia, amor

E é tão histérica

Pirando sob pressão

Procurando por um milagre


Huh-uh, venha, querida

Deitado em uma cama de sangue e dinheiro

Huh-uh, o que é tão engraçado?

Somos rivais no caos dentro de nós

Huh-uh, venha, querida

Deitado em uma cama de sangue e dinheiro

Huh-uh, o que é tão engraçado?

Somos rivais no caos dentro de nós

Huh-uh, venha, querida

Deitado em uma cama de sangue e dinheiro

Huh-uh, o que é tão engraçado?

Somos rivais no caos dentro de nós

Oh, sim

O Contexto


Depois do lançamento de Revolution Radio e Back in the USA, ficou clara uma certa tendência da banda de evoluir o seu som para algo mais semelhante ao que já haviam feito no passado, principalmente na era de American Idiot/21st Century Breakdown.


No entanto, para surpresa de boa parte dos fãs, as letras cuidadas e baladas melancólicas deram lugar à raiva descontrolada e confusão de Father of All..., que de imediato faz lembrar Dirty Rotten Bastards, pelo ritmo acelerado e moldes líricos.


Father of All... é o single de lançamento do recém-anunciado álbum de Estúdio de mesmo nome, que será lançado em Fevereiro de 2020. Poder ler mais sobre tudo o que sabemos sobre ele aqui.


O Significado


Em declarações para o Howard Stern Show, na rádio SiriusXM, Billie Joe falou o seguinte sobre a faixa:


"É meio que uma combinação de algo político, mas ao mesmo tempo lida com depressão e, então, é a primeira vez que eu escrevi sobre dinheiro."


De seguida Howard Stern pergunta a Billie Joe quais os seus sentimentos em relação a dinheiro, ao que Billie responde:


"É um misto de emoções. É a síndrome do impostor, ou algo do gênero. [...] Viemos de passados de tanta pobreza que [...] agora ter o que nunca tive é uma viagem!"



Ainda quando do lançamento do vídeo oficial da faixa, Billie deixou uma mensagem na descrição do vídeo para todos os fãs:


"[...] Nós queriamos fazer algo sobre dançar. Ansiedade. Tribalismo. Alegria... e violência pura e crua. É a nossa história. Falo de todos nós. [...]"



Tomando como referência as próprias declarações de Billie a respeito da faixa, Father of All... nos leva até um mundo apocalíptico, onde qualquer réstia de amor e felicidade é sufocada pelo estresse e agressividade do ambiente que o rodeia ("Eu acordei com uma mensagem de amor / com a fumaça de cima").


Nesse sentido, Billie sente-se sozinho e abandonado, "porque não há ninguém em quem confiar".


Com a chegada do próximo verso, todo esse nervosismo e ansiedade dão lugar a raiva e, de forma até algo provocador, Billie dispara as razões que, para ele, são as principais causadoras desse mundo horrível em que se encontra: dinheiro e depressão.


Quando tudo o que nos preocupa é dinheiro ("conte sua grana") e acreditamos que ele será a solução para todos os nossos problemas, acabamos nos esquecendo de que o verdadeiro problema está dentro de nós próprios ("Há um caos vivendo dentro de nós").


Assim, Billie toma o primeiro passo e admite seus próprios desafios e conflitos internos com paranoia e ansiedade (tal como relatado em Basket Case e Dirty Rotten Bastards).


Esses "demônios" que temos dentro de nós e que, muitas vezes, decidimos ignorar, vão ganhando mais e mais força a cada dia, até que acabamos "pirando sobre pressão", "procurando por um milagre" que nos salve de nós próprios.


Nesse sentido, e olhando uma última vez para o mundo apocalítico em que se encontra, Billie chega à conclusão de que todos "fazem a cama em que se deitam". As pessoas criaram e são os principais responsáveis pelo rumo horrível que esse mundo tomou.


Ou seja, foi a incapacidade de TODOS em lidar e aceitar seus próprios problemas que levou a que, agora, cada um esteja "deitado em uma cama de sangue e dinheiro", representando a dor/sofrimento que causamos nos outros e a nossa ganância auto-destrutiva.


Tal como Billie referiu, "Ansiedade. Tribalismo. Alegria... e violência pura e crua. É a nossa história." A história de todos nós.


Esse mundo fictício e apocalítico não é tão diferente daquele que conhecemos hoje, não é mesmo?


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