JOHN ROECKER CONCEDE ENTREVISTA PARA A KERRANG

John Roecker, diretor do documentário Heart Like a Hand Grenade, que será lançado em breve, concedeu entrevista para a revista Kerrang. Nós da Green Day Brasil trazemos para vocês, em primeira mão, a tradução completa dela, leia:


Praça das Cenas Quebradas


Coisas boas vem para quem espera. Nesta caso: Green Day e um olhar pro dentro de seu mais novo documentário, Heart Like a Hand Grenade. Onze anos após os titãs de Berkeley lançarem American Idiot, a banda se prepara para liberar um filme sobre o processo de composição e gravação do álbum que mudou tudo – incluindo gravações raras de um show da época do lançamento. Para celebrar essa nova visão interna do mundo do Green Day, trocamos algumas palavras com o homem por trás das lentes, John Roecker, falando de American Idiot, punk rock e… nudez.


Ei, John! Então, como você começou a dirigir inicialmente?

Eu sou um punk rocker da cena inicial de Los Angeles e, antes da revolução do punk começar, nós basicamente pensávamos que não poderíamos fazer tudo. Então o punk rock apareceu e nos disse, ‘Vocês podem fazer o que quiserem, podem pegar uma câmera… pegar um microfone’, então eu pensei, ‘é isso que eu quero fazer’.


E como você veio a trabalhar com o Green Day?

Quando eu ouvi falar de American Idiot eu disse à Billie Joe, ‘oh meu deus, você precisa filmar isso. Isso soa fantástico!’. E ele respondeu, ‘Não sei se vale a pena’. É muita pressão colocar uma pessoa em cima deles gravando um novo projeto, no entanto, ele confiou em mim e disse, ‘ok, traga sua câmera com você na segunda-feira’, e nove meses depois, lá estávamos nós!


Relembrando esses nove meses, você ainda lembra bem como foi, ou tudo é um borrão?

Não, eu lembro de tudo, como um elefante! Eu estava conversando com técnico de bateria do Tré quando eu cheguei lá no primeiro dia, pois eu nunca havia estado na gravação de um disco como aquele antes, e eu estava tipo, ‘quanto tempo isso irá levar, cara? Um mês ou algo parecido?’. E ele respondeu, ‘oh não, estaremos por aqui por oito ou nove meses’. E eu pensei, ‘No que eu fui me meter’ (risos).


Como você abordou a gravação? Essa foi a primeira vez que o Green Day permitiu que os gravassem em estúdio…

Eu estava tão feliz quando gravei que não atrapalhei em nada! Eu lembro de gravar Billie Joe tocando Wake Me Up When September Ends no violão e, eu precisava muito tossir, então tive de trancar o fôlego pois eu estava muito próximo dele e não podia fazer nenhum barulho (risos). Ninguém fez algo como aquilo antes! Nenhuma banda permite que isso aconteça. Havia muita confiança e admiração mútua – o que era muito legal!



Você sentiu que fazia parte de algo especial e que a banda estava fazendo algo grande?

Para ser honesto, eu não fazia ideia. Eu achava que seria memorável, mas não sabia o que os outros iriam pensar – eu nunca confiei muito nas ‘massas’ (risos). Eu lembro de ficar muito receoso com o título ‘American Idiot’ – estava preocupado que o nome levasse às pessoas a não escutarem a música. E eu entre todas as pessoas sugeri que eles mudassem o título… Billie Joe disse: ‘não!’


Como você transforma a gravação de uma banda em algo empolgante e assistível?

É tudo tão empolgante porque eu cheguei o mais próximo possível daqueles três brilhantes músicos. Eu filmei tudo enquanto estive lá – até mesmo um solo de bateria, que era muito bom. Eu fiquei preso no estúdio com os melhores músicos do mundo!


No seu comunicado sobre o documentário, você mencionou o ‘Some Kind of Monster’ do Metallica. Como aquele filme afetou seu modo de gravar o Green Day?

Quando eu vi aquele filme eu pensei, ‘isso vai destruir o Metallica’. Digo, é um filme fantástico e estava em todos os lugares na época – nas capas de todas as revistas, incluindo a Kerrang. E eu pensava, ‘estou em uma jornada muito diferente com o Green Day’. Pois todos estavam felizes e se dando bem. Era assim que eu queria que fosse – eu não estou interessando em uma banda fingindo para as câmeras. Tudo o que me interessa é como as bandas compõe e gravam suas músicas. E é disso que se trata esse filme. Composição, gravação, ensaios e palco. É toda essa jornada e era tudo o que eu queria. Eu quero ser inspirado pelas bandas, quero que as pessoas assistam isso e digam, ‘eu posso fazer também’.


Ninguém gosta de ver sua banda favorita brigando…

E eu juro para você, se eles estivessem brigando eu teria filmado. Mas eles não são esse tipo de banda. Billie Joe é um cara muito legal e é isso que eu gosto nele. Na realidade, teve um incêndio no estúdio no primeiro dia de gravações e ele riu pra caralho disso. Ele disse, ‘isso é o pior que pode acontecer? Sem problemas’.


Nós vimos o Green Day em estúdio no documentário ¡Cuatro!, de 2013. O quanto este documentário é diferente daquele?

Bem, há gravações deles pelados (risos). É muito próximo e intimista. Você nunca os viu tão de perto, literalmente. A banda gravou o álbum em ordem, então, a guitarra de American Idiot foi a primeira e, Whatsername foi a última nota de baixo tocada por Mike. Quem conseguiu ter esse tipo de experiência passando nove meses com essa banda maravilhosa? Nós nem imaginávamos que seria tão grande. Eles estavam literalmente pensando, ‘vamos nos arriscar e fazer isso… foda-se. Se der certo, deu certo, se não der, não deu’.


Então, o que faz deste momento a hora para lançá-lo?

Não há nenhuma lógica. Eu não sei. Só foi algo assim, ‘ei, vamos fazer isso agora!’. Eu gastei tanto tempo nele, revi todas as 300 horas de gravação para ter certeza que estava perfeito. Pareceu natural e é assim que o filme é. Nós não tínhamos nenhuma regra e podíamos fazer o que quiséssemos. Eu tive tanta liberdade e isso foi tão estranho. Tive muita sorte, pois éramos só nós e não um bando de engravatados nos pedindo para mudar partes ou coisas assim. E se eu puder servir de inspiração para alguém fazer um disco ou uma gravação, então isso é o sucesso pra mim. Eu sou o pior empresário do mundo (risos).


Como você acredita que este filme será recebido?

Não faço ideia! Só quero que as pessoas o vejam. Quero que elas tenham a experiência que eu tive, esse é o meu objetivo. Não quero fazer dinheiro. Foram lançados grandes documentários esse ano – o do Kurt Cobain, Amy… é insano. Esse é o ano dos documentários sobre música. Com este aqui não haverá suicídio, morte ou tristeza, ele é justamento o contrário. Um final Feliz!



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