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NO BACKSTAGE, GREEN DAY FALA SOBRE DROGAS, SETLIST, TRILOGIA, TRUMP E SEU FUTURO

Como de costume, a revista Rolling Stone liberou em seu site a íntegra da entrevista que tiveram com o Green Day e que saiu na forma de uma pequena matéria em sua mais recente edição.


A conversa com o trio foi longa e nela foram abordados assuntos pertinentes nas rodas de discussão entre fãs da banda, como o setlist atual, os fãs trazidos ao palco, motivações para o futuro e muito mais.


Confira abaixo a íntegra da tradução feita com exclusividade por nossa equipe:


Em cerca de três horas, o piso do Verizon Center em Washington, D.C. estará cheio com uma multidão de fãs do Green Day gritando e alegremente ignorando as sinalizações que não permitem crowd surfing. Mas, agora, ainda estamos na passagem de som e a banda está olhando para um público de duas pessoas que a faz parecer domesticada: Ryan Dirnt e Brixton Dirnt. Eles são os filhos mais novos do baixista Mike Dirnt (com seis e oito anos) e eles estão correndo solitários pelas arquibancadas vazias, pulando barreiras e deixando os seguranças tontos enquanto a banda toca ‘King For a Day’, música menos conhecida de 1997. Em certo momento, Billie Joe Armstrong decide se juntar aos dois, carregando seu microfone sem fio e perseguindo Brixton por todo o ginásio enquanto acerta em cheio cada frase da música.


É um impressionante teste de resistência para Armstrong, que tem 45 anos, principalmente porque a banda tocou um show na noite anterior. Esta é a primeira turnê de Billie desde que ele largou seu hábito por drogas prescritas em 2013 e ele está determinado a curtir cada minuto disso. “Às vezes tenho que tomar uma dose de B12 (vitamina) para me manter”, ele diz. “Mas eu tenho mais energia agora do que nunca. Tenho essa sensação de gratidão a cada noite e sinto que eu tenho impactado as pessoas além de apenas tocar minha guitarra. Entregando às pessoas uma experiência tanto política como musical”.


A maioria dos shows dessa turnê têm focado mais na música do que em política, apenas com a notável exceção de um “foda-se Donald Trump!” gritado a cada noite durante a faixa título de American Idiot. Esta noite eles estão tocando a apenas 1,5km da Casa Branca, horas após o Escritório de Orçamento do Congresso anunciar que a proposta de plano de saúde de Trump irá custar o fim da cobertura de 24 milhões de estadunidenses. Cinco músicas adentro do set, Armstrong faz uma pausa pra botar tudo pra fora. “Eu não aguento mais nenhuma dessas teorias da conspiração”, ele grita. “Estou cansado dessas mentiras ruidosas, dessas meias-verdades e inverdades! Eu quero a verdade”. Ele faz uma pausa quando percebe um fã na frente do palco filmando ele com seu celular. “Se você está me olhando através da tela, você não está me olhando”, ele diz. “Você olha para a tela do celular 24 horas por dia. Não hoje!”.


Conversamos com Billie Joe no camarim pouco depois da passagem de som, e depois tivemos uma conversa em separado com Mike Dirnt e Tré Cool.


Entrevista com Billie Joe Armstrong


Como foi a turnê de pequenos clubes que vocês fizeram alguns meses atrás? F

oi fantástica. Pudemos tocar algumas músicas menos conhecidas e as pessoas ficaram bastante satisfeitas. Quando você toca em lugares maiores é um pouco mais difícil em ir mais fundo, mas nós sempre damos um jeito de tocar algumas. Em lugares pequenos temos a liberdade de fazer o que quisermos.


Esta noite parece diferente para você uma vez que estão em D.C., tão próximo da Casa Branca?

Nós tentamos manter a energia positiva e criar um senso de união no show. Em primeiro e acima de tudo, eu quero que as pessoas tenham realmente uma grande experiência longe de imprensa negativa e a negatividade que você vê nas notícias e no Facebook. Eu nem mesmo gosto de ver pessoas com seus celulares. Vamos ter uma experiência humana e nos esfregarmos uns nos outros, sabe.


Mas você, no entanto, menciona Trump no palco.

Além de um ‘Foda-se’, não muito, honestamente. As pessoas sabem como eu me sinto. Eu acho que ir nessa negatividade é apenas alimentar o fogo com gasolina. Eu acho que o governo está tentando criar uma cultura de guerra entra nós de diversas formas. Estão tentando dividir a classe média baseados no vermelho e azul (cores que simbolizam os lados republicano de democrata). Eu acho que estamos em modo crise agora. Para mim é importante voltar ao princípio fundamental do que é ser estadunidense. Todos viemos de passados distintos, mas nos reunimos para criar esse mundo. É como um microcosmo do resto do planeta. Quero que as pessoas se sintam unidas enquanto estiverem no show. Mas ao mesmo tempo, eu não vou me acovardar em falar sobre o que sinto dele e sua administração.


Vocês acabaram de tocar alguns shows no Texas. Tiveram algum feedback negativo quando gritaram ‘foda-se Donald Trump’ por lá?

Eu não sei. Existem muitas pessoas, nos citados e não citados estados vermelhos, que sentem um grande alívio quando digo algo como ‘foda-se, Trump’. Isso acontece porque eles são a minoria onde vivem e em nossos shows eles consegue se sentir livres.


Eu acabei de passar por uma longa fila de adolescentes esperando para entrar no show. Eles deveriam ser bebês quando American Idiot foi lançado.

Nosso público é bastante único. Eu gosto de ver pessoas de 16 anos, assim como gosto de ver pessoas de 60 anos. Tem muita gente de cabelo grisalho por aí que ama a banda. Eles estão aqui pelo Rock and Roll.


Vocês tem tocado sete músicas do American Idiot. Elas parecem oportunas por conta do que está acontecendo politicamente?

Sim. Se você olha para nossa carreira, é quase se fosse antes de American Idiot e depois de American Idiot. Sim, tocamos músicas novas e tocamos coisas do American Idiot. É difícil explicar do meu ponto de vista porque as vezes eu começo a dizer a mim mesmo, ‘olhe o quão único é isso. Você pode tocar na frente de 14 mil pessoas e todas estão cantando junto’. Tocamos uma música como ‘Holiday’ e é como um bando de pássaros ou algo assim.


Você traz alguém no palco pra tocar guitarra toda noite. Como isso começou?

A primeira vez que lembro que isso aconteceu foi na turnê do Insomniac. estávamos tocando em Nova Orleans e passando por um momento ruim. Lembro que o show estava se arrastando e eu disse, ‘eu não quero tocar mais, tem alguém aí que gostaria?’. Então trouxemos alguém no palco e quando a pessoa começou a tocar, o público inteiro se acendeu e mudou o show completamente pra mim. Foi uma experiência incrível.


Isso foi há quase 20 anos. É maravilhoso pensar em quantas pessoas tocaram com vocês ao longo dos anos. Tenho certeza que para a maioria deles foi uma experiência que mudou suas vidas.

Imagino que sim. Acredito que alguns desses garotos acabaram formando bandas por conta disso. Acho que foi o que aconteceu com o cara do 1975.


Como você escolhe o garoto a cada noite?

Não há nenhuma ciência nisso. Algumas vezes você consegue olhar nos olhos de alguém e dizer se eles sabem o que estão fazendo. Mas se alguém não consegue tocar, isso cria um outro tipo de mágica. Eu olho e penso: ‘droga, esta pessoa não consegue tocar nenhuma nota’. Então eu vou atrás dela e faço os acordes enquanto eles batem nas cordas e tudo acaba bem.


E eles sempre levam o instrumento pra casa no fim da noite. Isso não pode ser barato.

Bem, temos um bom relacionamento com a Gibson.


Percebi que não estão tocando nada da trilogia nessa turnê. Porque isso?

Eu realmente quero focar no novo álbum. Quando você toca sete músicas do novo disco, não sobra muito espaço. As pessoas querem ouvir outras coisas também. Não tenho nada contra esses discos. Apenas aconteceu de não estarmos tocando nada deles.


Vocês ainda tem cerca de 70 shows por fazer nessa turnê. É assustador pensar nisso?

Não, pois percebi que quanto mais velho você fica, mais você entende como o tempo pode passar. Quinze anos atrás eu estaria tipo, “uau, teremos um grande ano’. Mas agora eu olho pra isso e penso, ‘meu Deus, é apenas um ano’. Essa é a diferença.


Claramente há uma atmosfera familiar aqui no backstage.

Sim, eu amo quando as famílias vem junto. Isso cria uma sensação de calmaria. Eu amo as esposas do Tré e do Mike, são pessoas maravilhosas. Minha mulher é maravilhosa. Todos se dão bem e é muito legal.


Seguido disso, se ouve de bandas que mal se falam fora do palco. Esse obviamente não é o caso aqui.

De forma alguma você conseguiria me por num palco junto com alguém que eu não gosto. Não tem como, jamais faria isso. Temos nossos atritos e coisas assim. Todas as bandas tem seus desentendimentos. Mas a vida é muito curta pra para ficar enchendo o saco junto com alguém que você não gosta.


Vocês tem uma amizade que data de antes da banda. Isso realmente ajuda.

Sim, nós crescemos juntos. Éramos tão jovens. Tré tinha apenas 17 anos quando entrou pra banda.


Apesar de estar no Rock and Roll Hall of Fame por dois anos, vocês ainda são bastante jovens. A maioria das bandas entram lá quando são bem mais velhos.

Acho que devemos ser os mais jovens a adentrarem. Isso é algo do que se orgulhar.


Então, o que ainda te motiva? O que falta provar?

Nada. Eu não tenho nada a provar. Quero apenas seguir a música. Eu amo fazer discos. Amo tocar ao vivo. É isso e nada além disso. Fico ansioso por toda a loucura em frente de nós a cada dia.


Vivemos em uma época que é basicamente impossível uma banda de rock conseguir um grande hit de rádio. Você se importa?

Acabamos de ter dois grandes hits de rádio.


Eu digo no top 40 do rádio. Nos anos 90, bandas de rock conseguiam ter hits lá. Mas isso não acontece mais com ninguém.

Essa é uma janela pequena. Ouve uma época entre 91 e 95 onde bandas alternativas podiam chegar ao rádio. Mas no grande esquema das coisas, o período onde isso pode ocorrer não foi grande. Nesses termos, somos uma banda de rock e eu não me importo com o mainstream. Ele não me oferece nada. Porque eu deveria oferecer algo em retorno? Eu amo o mundo que tenho e amo o tipo de subcultura que o Green Day representa.


Vocês tem uma liberdade maravilhosa. Podem fazer o tipo de álbum que quiserem e ainda sair e tocar em arenas.

Eu sou extremamente grato por isso. Não há um dia que passe onde eu não diga: ‘puta merda, eu estou no Green Day’. É muito bom.


Muitos artistas do pop são forçados a trabalharem com co-escritores e times de produtores. Eles tem grandes sucessos, mas não muita liberdade.

É difícil. Quando as pessoas começam a escrever músicas pensando em premiações, há uma paleta muito limitada que pode ser usada. Você acaba não soando como você e sim como outra pessoa. Você acaba entregando o que a gravadora acredita que pode vender. Eu acho que as bandas tem de se olhar nos olhos e dizer: ‘o que você quer? Você quer esse momento fugaz de seis meses de sucesso ou você quer construir algo que dure uma vida?’. Eu vi isso acabar com bandas. É terrível. Eu vi bandas que tem essa bela vida underground por muitos anos e, de repente, eles tem um hit e precisam alimentar o monstro o tempo todo.


Voltando ao teor político aqui. Na era de Trump, você sente alguma obrigação de ser a voz da resistência?

Eu acho que somos uma voz para se juntar a resistência. Não sei qual o formato que ela terá. Digo, você pode um pouco disso agora, com pessoas aparecendo nas prefeituras. Mas é complicado. Pensar que estamos ainda no segundo mês deste presidente. É como se cada dia você recebesse uma nova forma de merda. Acho que é assim que é o povo: eles são vítimas de constantes merdas.


Você olha pra trás até George W. Bush de forma diferente agora que estão vivendo a era Trump?

Não. Bush, até onde eu sei, é um criminoso de guerra. Com Trump, nós não temos ideia. Até agora é apenas um show de horrores.


Você está assustado com o futuro de seus filhos?

Eu olho para meus filhos como a geração Harry Potter. Há um senso de justiça em derrotar Voldemort. É um conto clássico de bem versus mal. Ter um modelo como Harry Potter que lhe diz que você pode derrotar o mal e ainda ser um ser humano complicado, isso me dá muita esperança.


Você está inspirado para compor novas músicas agora que estamos nesta nova era política?

Ainda não sei. Ainda estou arranhando a superfície disso. Digo, leva um longo tempo pra escrever um disco. Mas ou é isso ou enlouquecer e fazer algo estranho.


É purificante ir lá fora toda noite e despejar sua frustração com suas músicas?

Me dá tremenda alegria e é gratificante nesse momento. Acho que essa é a experiência que as pessoas levam com elas.


Você já tocou ‘Basket Case’ milhares de vezes. Você ainda sente a energia que teve quando escreveu ela?

Toda noite. É um hino para os esquisitos e as aberrações. A música é sobre enlouquecer e eu acho que a maioria das pessoas já passou por isso de alguma forma em suas vidas.


Você quer estar cantando daqui há 20 anos quando estiver com 65?

Sim. Quando nós começamos, eu sempre quis ter certeza que eu poderia envelhecer com as minhas músicas. Acho que obtivemos sucesso com isso.

Entrevista com Mike Dirnt e Tré Cool Nota: Tré não estava presente nos primeiros minutos da entrevista.


Com está a turnê?

Dirnt: Foda. O show na área de Duluth/Atlanta na Geórgia foi inacreditável. Tem alguns maravilhosos destaques para nós. As vezes você está no backstage e pensa: ‘OK, como o público irá reagir? Como será esse show?’. Mas tudo se prova tão simbiótico. Nós nos alimentamos uns dos outros e nos divertimos muito. Acho que há muita gratidão em estarmos juntos na mesma sala novamente.


Você esteve longe da estrada por quase quatro anos. Sentiu falta?

Dirnt: Sim. É engraçado. Eu estava fazendo essa malhação insana. Um dia, de repente, eu estava correndo em volta de um lago em Oakland e parei por um segundo e comecei a andar. Eu percebi, ‘por quê eu estou malhando tão pesado? Não tenho nada planejado?’. Então isso foi engraçado. Mas no fim das contas foi um merecido descanso. É legal curtir e sair em turnê. Sempre quero isso. E para sair em turnê temos de ter um grande disco e acho que temos um grande disco. Temos tocado metade dele e os fãs estão amando.


Isso é algo raro. A maioria das bandas com 30 anos e dentro do Hall of Fame lança uma música nova, quando muito.

Dirnt: Engraçado você dizer isso. Para mim, quando você entra no Rock and Roll Hall of Fame, tem um lado de mim que diz: ‘o que isso significa? Somos relevantes depois disso? Eles colocam você na estante junto com o prêmio?’. Não sei, mas isso é a última coisa que queremos. Mas acho que tirar nosso tempo e entrar em uma sala e recomeçar naturalmente como uma banda, fazendo as coisas ao natural como Green Day, foi o que nos trouxe a esse disco. Foi um processo orgânico de composição. Não havia mais ninguém lá além de mim, Billie e Tré. Algum amigo ocasionalmente aparecia para ajudar na parte técnica e de engenharia, e era isso. Isso me faz pensar que este é um novo capítulo e está apenas começando.


É muito fácil para uma banda se apoiar em seu passado, mas vocês nunca fizeram isso.

Dirnt: Sim. Essa banda nunca parou. Houve vezes, digo, a trilogia… não sei o que as pessoas pensaram dela criticamente, mas eu ouvi os discos outro dia e eles são fabulosos. Não me importo com o que ninguém pensa. Foi muito para se absorver de uma vez. Mas os discos estão lá para os novos fãs do Green Day descobrirem e mesmo para os velhos fãs. Warning, na época que foi lançado foi recebido tipo, ‘que merda vocês estão fazendo?’. Não foi um grande sucesso, mas hoje é um dos favoritos de muitos fãs da banda.


Imagino os fãs olhando diferente para a trilogia em alguns anos.

Dirnt: Acho que sim. Foi muito para ser digerido. E sejamos justos, o Green Day nunca desapareceu completamente. Talvez teria funcionado se tivéssemos estado em off por uns quatro anos antes de lançar ela. Mas não estivemos.


No entanto, vocês não tem tocado nenhuma dessas músicas nessa turnê.

Dirnt: Não, não neste momento porque o novo disco está sendo muito bem recebido. Temos bons problemas. Temos tocado por duas horas e meia agora. Poderíamos facilmente fazer como o Bruce Springsteen e tocar quatro horas, mas eu sinto que estamos com a energia das quatro horas do Springsteen nas duas horas e meia. Também, em certo ponto você acaba deixando o público exausto. Vi alguém dizer dia desses, ‘eles tocaram alguns covers mas deviam ter encaixado algumas músicas antigas ali no meio, mas acho que está tudo bem já que eles tocaram 33 músicas’. Vai se foder. Quem toca 33 músicas? Sem mencionar que algumas delas tem sete ou nove minutos. Qual é, cara, dá um tempo.


Você acha que consegue curtir melhor o que conquistou com o Green Day agora que está mais velho?

Dirnt: Eu acho que todos entendem isso com a idade. Odeio dizer que a juventude é desperdiçada porque você é muito idiota naquela época, mas acho que você percebe que é afortunado quando vê o que conquistou e não quer perder tempo dormindo a qualquer hora. É estranho, mas no início da carreira você não quer parar para sentir o perfume das rosas uma vez que está ocupado pisoteando elas.


Vocês foram de pequenos clubes para o Woodstock 94 muito rápido.

Dirnt: Sim, começamos com 2 mil pessoas e então 10 mil. É um grande salto. Sabíamos que só isso era o que tínhamos. Digo, nós não íamos voltar para a faculdade. Eu não ia voltar a cozinhar frutos do mar. São grandes empregos e tudo bem, mas essa é a minha paixão. No fim do dia você tem de ir atrás daquilo que é apaixonado.


Tré Cool entra na sala.


Ei, Tré, me fale sobre seu dia típico na estrada.

Cool: Bem, rodamos pela cidade em um corcel dourado com nossas espadas desembainhadas! Não, acho que a primeira parte do dia quando chegamos aqui nós só tentamos nos sentir confortáveis com o ambiente. Quando vou para uma arena ver uma banda parece apenas um grande lugar antigo. Você caminha pelo lugar e procura seu assento. Mas quando nós vamos tocar num lugar assim, nós passamos a tarde tentando conhece-lo e faze-lo um lugar confortável para a a gente. Queremos torná-lo nosso lar e eu escondo baquetas nas cadeiras.

Dirnt: É difícil dizer quando um dia de turnê começa porque você tem de começar pelo pós show da noite anterior. Você termina um show, roda cinco horas em um ônibus ruim, porque todas as nossas taxas em impostos são destinadas para coisas estúpidas, então você não dorme. Na noite passada eu não caí no sono até umas 6 da manhã e acordei ao meio dia. Então comecei a me alongar. Você faz a barba e qualquer outra coisa que precise, então você conhece o local do show e passa o som. Sempre tentamos tocar ao menos uma música para ver se o local irá soar bem. Então fazemos um pequeno almoço, nos alongamos novamente, malhamos e depois entramos numa pequena e barulhenta diversão.


Vocês foram uma voz forte no movimento anti-guerra durante a administração de Bush. Quais são suas obrigações na era de Trump?

Dirnt: Desde cedo eu aprendi a questionar tudo. Mas eu sinto que tudo está tão dividido hoje. Ir contra a maré seria buscar inclusão e não divisão. Essa é a forma que eu acredito que devemos seguir.

Cool: Acho que temos a obrigação de apresentar um show divertido e um concerto memorável, energético, que espalhe alegria e abra as mentes. Se ter a mente aberta e ser alegre é contra suas crenças políticas, então, sabe, vai se foder.


Vocês não querem que o show todo seja ‘Foda-se Trump’.

Dirnt: Eu não quero. Isso não nos define. Digo, American Idiot não era um foda-se George Bush. Era algo pessoal sobre o que Billie estava escrevendo. ‘Não quero ser um idiota americano’. Estávamos vendo a maldita guerra ser televisionada pela primeira vez em nossas vidas e estávamos tipo, ‘isso só pode ser brincadeira’. Mas não era um disco sobre Bush. E eu certamente não darei a Trump os créditos dizendo que este disco é para ele. Ele já ganha bastante cobertura do jeito que está. Mas de alguma forma ele amou o musical de American Idiot.


Ele viu?

Dirnt: Sim. Eu estava tipo, ‘que merda você está fazendo aqui na noite de estreia? Esse cara está na abertura de qualquer coisa’. Mas é assim, esse disco não é sobre ele. Estávamos em Paris e a eleição estava acontecendo e seguindo um caminho. Fomos dormir e acordamos de uma forma diferente. Muitas das músicas e seus significados tinham pontos de exclamação naquele momento.

Cool: A maioria das músicas foram escritas e gravadas de forma demo antes dessa guerra de lama da eleição começar.

Dirnt: Antes mesmo dos candidatos serem anunciados.

Cool: Mas eu amo nosso país. Meu pai serviu o exército. Cresci com essa sensação de que meu lugar é nos Estados Unidos. Mas eu estava também na contracultura e vinha de um lugar onde a polícia era temida. Então eu era contra o estado mas ainda amava o país. Era um tipo irônico de educação.


Seguido disso, eu vejo banda com músicos de turnê que são colocados lá num canto do palco atrás de uma cortina, ou literalmente de baixo do palco. Vocês nunca fizeram isso com seus músicos de apoio.

Cool: Jason Freese é um belo demônio. Não iremos esconder isso. E não existem espelhos e fumaça com o Green Day. Não tocamos playback e não escondemos nenhum músico pelos cantos. O que você vê é o que entregamos. Somos um bando de velhos tocando música através de caixas de som, microfones e instrumentos. É à moda antiga, é cru e é direto.


Quando falei com Billie Joe eles disse que divide a história da banda entre pré-American Idiot e pós-American Idiot. Vocês veem isso assim também?

Dirnt: Eu quase vejo em três seções: van, ônibus e jato.

Cool: E de volta ao ônibus nesse momento.

Dirnt: De volta ao ônibus. Ônibus e jatos..


O que vocês pretendem conquistar na próxima década?

Dirnt: Sinto que Revolution Radio meio que validou o próximo capítulo da nossa vida, mas nós nunca tentamos prever as coisas. Apenas escrevemos e tentamos continuar fodas [risos].

Cool: Também diz respeito a não abandonar nosso passado. Eu vejo que muitas bandas antigas se tornam bandas que vivem de seu legado, dizendo, ‘cara, tudo era melhor nos anos 80 ou nos anos 60′, ou qualquer que tenha sido o seu auge. Outras dizem, ‘não quero falar do meu passado, estou aqui pra promover meu disco novo’. Nós percebemos que temos músicas que estão transcendendo gerações e nós crescemos junto com nossos fãs. Então queremos seguir em frente, mas ainda assim apreciar nosso passado, mandar ver naquelas músicas antigas, ir adiante e escrever coisas novas.

Dirnt: O futuro irá apresentar seus próprios desafios e eu estou ansioso por isso. Desde que nos tornamos adultos ligeiramente mais maduros, sempre queremos envelhecer e nos tornar mais sábios.

Cool: Contanto que cada dia venham com um bom e fresco copo de Oakland Coffee (marca de café pertencente a banda) então tudo estará bem [risos].