REVOLUTION RADIO É ELEITO O MELHOR ÁLBUM DE 2016

No início de dezembro a revista inglesa Kerrang! publicou a sua lista com os maiores álbuns de 2016. Revolution Radio, lançado em outubro, ficou no topo!

Em comemoração, além de trazer o Green Day na capa da edição da revista, com direito a entrevista exclusiva com Tré Cool, foi lançado um álbum em homenagem ao Green Day, chamado American Superhits e trazendo 15 covers executadas por diversas bandas, os quais você pode conferir no fim desta matéria.


Os 50 maiores álbuns de 2016

Green Day, por dentro do álbum que os salvou


Revolution Radio entrou no escritório da Kerrang! com a força de um tanque. Agora, com o 12º álbum de estúdio do trio de Oakland público a mais de dois meses, pode parecer que nossa acalantada resposta ao primeiro disco do Green Day em quatro anos foi nada mais do que a ordem natural das coisas. Mas este não é bem o caso. Vivemos esperançosos, é claro, por todo o tempo em que percebemos que a trilogia ¡UNO!, ¡DOS!, ¡TRÉ! De 2012 – lançamentos que sofreram com a “total falta de direção”, como o próprio Billie Joe notou – e os vícios de Billie Joe que foram amplamente divulgados, mostravam que a banda andava em seu maior tempo de baixa desde os anos que antecederam o impecável American Idiot, de 2004.


Mas subestimar o Green Day é perigoso. Mesmo em face de considerável oposição, a coroação de Revolution Radio como o álbum do ano por essa revista nunca foi um risco.


É uma coleção que reúne um tiro certeiro enquanto carrega nuances cheias de camadas – o dom de seguir em frente. Essa nuance cobre o arco lírico, também. Quatro linhas após o início da primeira música, ‘Somewhere Now’, Billie Joe imagina: ‘Como a vida no lado selvagem se tornou tão maçante?’. Dez faixas após aquela linha, na épica ‘Forever Now’, a questão se transforma: ‘como a vida no lado selvagem se tornou tão cheia?’. O mundo onde Revolution Radio existe ocupa o espaço entre estas duas questões.


Inevitavelmente, o impulso punk rock é impecável. Mês passado no American Music Awards, o Green Day incorporou em sua performance um trecho da música ‘Born To Die’ da banda punk MDC. Trinta e dois anos atrás, com apenas 12 anos, Tré Cool tocava bateria para sua primeira banda, The Lookouts, e abriram um show para o MDC no The Farm em São Francisco.


Quase duas gerações após, é a exemplar condução do baterista que gera a combustão interna e dá força ao motor do Green Day. Junto, é claro, com a atenção nos mínimos detalhes. Com o objetivo de fugir da sonoridade das baterias de American Idiot – sonoridade bastante utilizada hoje em dia -, a banda experimentou com diversos tipos de bumbos e peles de bateria. Vocês com certeza devem estar imaginando, eventualmente eles ajustaram um bumbo de 22×18 polegadas de mogno e carvalho híbrido fabricado pela SJC.


Isso pode parecer um detalhe minúsculo e insignificante, mas não é. Durante as seções de Revolution Radio, o Green Day buscou ser a melhor banda que poderia, algo tão exaustivo quanto recompensador e está encravado na menor das fendas durante todas as músicas, muitas das quais são tão boas quanto as melhores que a banda já pôs seu nome. Traz lembranças do passado (‘Outlaws’ é nada mais do que uma canção de amor à Mike Dirnt e aos tempos em que Billie Joe iria arrombar carros para pegar fitas k7) e joga um olhar desesperado sobre os dias do presente (‘onde está a verdade nas escrituras se ninguém as lê?’, é apenas uma das perguntas retóricas de ‘Troubled Times’) enquanto pega carona para o futuro, o ponto onde a revolução será transmitida pelas ondas do rádio. Da mesma forma que o Ramones uma vez perguntou: ‘Você se lembra da rádio rock and roll?’).


Este é o trabalho de uma banda adulta que ainda sabe uma coisa ou outra da rebeldia adolescente. Da mesma forma que em American idiot, aqui o Green Day zomba do argumento dito por muitos que depois de sete ou oito anos a criatividade dos grupos começa a ficar escassa. Não aqui e não agora. Chegando os sinais vitais, esta união formada 30 anos atrás continua muito viva com Revolution Radio.


A banda fala: Entrevista com Tré Cool


Parabéns Tré, Revolution Radio recebeu o prêmio de Melhor álbum de 2016 pela Kerrang! Vamos a seu discurso…


“Parabéns, vocês escolheram com sabedoria e eu votarei na Kerrang como a revista do Green Day em 2016. É refrescante ver que o rock and roll ainda está vivo, bem e forte e que pode confrontar a maré de músicas robóticas. É ótimo que as pessoas ainda estejam ouvindo guitarras e baterias. É importante para mim e é bom ver que não estamos sozinhos”.


De primeira o álbum parece refletir o passado e direto ao ponto, mas é de fato cheio de nuances e complicado. Isso estava aparente para vocês enquanto estavam trancados em estúdio gravando?


“Era sim. Quando estávamos gravando em Oakland nós estávamos interessados em adicionar novas camadas. Esse álbum é como uma caça ao tesouro e existem pequenas migalhas deixadas ali para ajudar as pessoas a encontrarem seu caminho. Quanto mais o Billie se esforçava nas letras, mais nós trabalhávamos como banda, nos esforçando ao máximo para descobrir como apresentaríamos as músicas. O legal disso tudo é que ele é complexo e há bastante substância para as pessoas cavarem e descobrirem novos elementos a cada ouvida. E ele significa diferentes coisas para diferentes pessoas, também. Pode representar coisas diferentes para quem mora nos EUA, na Inglaterra ou Alemanha. Ainda, pode variar em termos de idade. Pessoas mais velhas podem escuta-lo e lembrarem de coisas que ouviram com 20 ou 30 anos, ao mesmo tempo que para jovens essa pode ser a primeira vez que eles escutam este tipo de coisa”.


Da mesma forma que American Idiot, em 2004, você imagina que Revolution Radio é visto mais político do que realmente é por conta do período em que foi lançado?


“Eu estava pensando sobre isso ontem. Sim, eu imagino isso. É uma pena que esse disco foi lançado durante a pior campanha eleitoral da história, pois todos tentam amarrar tudo dentro daquele contexto, aos maus políticos, Seja Hillary ou Trump ou qualquer outro. Não estamos tentando ser porta-vozes do que é justo e bom. Digo, é claro que aceitamos isso, mas há muito mais nesse disco. É muito mais pessoal do que um olhar superficial lhe permitiria entender. Eu meio que quero ajudar as pessoas com esse disco pois estou cansado dessa polarização e estou cansado do todos os maus argumentos em que as pessoas ficam presos. É a esquerda contra a direita, são os sites tomando opiniões entrincheiradas… Estou cansado disso tudo, só quero ver as pessoas batendo cabeça e juntas novamente. É hora de mandar ver, é hora de se divertir esse é o momento”.


Você acha que estão carregando esse fardo porque parece existir tão poucas bandas de rock dispostas a falar de problemas sociais e políticos?


“De certa forma… mas há mais em 2016 do que uma eleição ruim”.

Se as pessoas falam bem ou mal da banda, o que eu sei é que em 2015 entramos para o Rock and Roll Hall of Fame e isso não pareceu que estávamos em baixa.


O período em torno e que seguiu a trilogia foi de altos e baixos para o Green Day. Seria justo dizer isso?


“Eu não sei, pois não somos uma empresa corporativa pública. Isso não nos afeta dessa forma. Estamos em um ponto onde estivemos na estrada por tantas vezes e nunca tivemos uma turnê ruim. Jamais aconteceu. Então não temos consciência disso, se as pessoas falam bem ou mal da banda. O que eu sei é que em 2015 entramos para o Rock and Roll Hall of Fame e isso não pareceu que estávamos em baixa. Estar naquele grupo é para nós algo de outro nível, é algo novo. As regras mudam”.


E, ainda assim, com tudo que aconteceu, aqui estamos nós. A moral dessa história é ‘jamais subestime o Green Day’. “Bem, se você deixar um bichano passar fome, você não pode ficar surpreso quando ele sair e comer um passado… Na realidade, essa é uma comparação bem rum, pois sou alérgico a gatos”.


Como um home chegando à meia idade e ganhando a vida com um emprego essencialmente adolescente, como o Green Day continua se dando bem todos esses anos?


“Eu acho que, essencialmente, nos damos bem da mesma forma de sempre. Acredito que hoje temos um enorme respeito por cada um e meio que temos o nosso jeito de se ajudar quando o outro precisa. Acho que pensamos duas vezes em zoar o outro, mesmo quando é óbvio e justificável ou mesmo quando o outro pede por isso. Acho que nos protegemos e nos cuidamos, Somos amigos e nos amamos. Acho que nos tratamos com respeito verdadeiro, e é bom saber disso”.


Qual foi a melhor parte de 2016 para você?


“Para mim? Eu não sei, pois quem pode garantir que o melhor ainda não está por vir? Esse ano foi como a camada de um bolo, onde existem partes diferentes, partes muito boas, onde é difícil saber por onde começar. Esse ano teve muitos grandes momentos, isso é certo. Teve aquela vez que tocamos pela primeira vez ao vivo ‘Forever Now’, isso ficou marcado na minha mente. Tocar em Berkeley foi maravilhoso. Finalizar o disco foi incrível. Também tive um sexo fantástico com minha esposa esta manhã, isso foi ótimo, também!”.

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