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TRIO FALA SOBRE A NOVA TURNÊ REVOLUTION RADIO PARA A ROLLING STONE

O novo fogo do Green Day

Billie Joe Armstrong está sentado no backstage no Verizon Center em Washington, D.C., a cerca de 1 km da Casa Branca, onde Donald Trump está se encontrando com republicanos para falar sobre os planos de saúde que roubariam o seguro de 24 milhões de americanos. Mas Armstrong não está planejando falar sobre isso no palco. “Eu não quero ser negativo”, ele diz. “Eu sinto que seria como jogar mais lenha na fogueira. Estamos um pouco em crise, e pra mim é mais importante que as pessoas se sintam unidas quando venham a um show”.


Mas uma vez no palco, Armstrong não pôde se segurar. Durante ‘Letterbomb’, uma das 7 músicas que o Green Day toca do seu álbum da era de protesto contra Bush, American Idiot, ele se lança em um discurso sobre a investida da administração de Trump na verdade.


“Eu não posso suportar nada mais dessas malditas teorias da conspiração” ele grita. “Eu estou farto de mentiras ruidosas, de meias verdades e inverdades! Eu quero a verdade”.

Ele se agita quando vê um fã filmando em frente, “Se você estiver vendo por uma lente, você não está olhando para mim”, ele diz. “Você olha pro celular 24 horas por dia. Não hoje a noite!”



É só um momento catártico durante um set de 33 músicas, duas horas e meia de uma maratona pesada nos clássicos dos anos 90 assim como do álbum novo da banda, Revolution Radio. O grupo já está aquecido depois de uma longa tour ano passado, é a primeira desde que Armstrong largou o vício em drogas prescritas em 2013.


“Às vezes tenho que ter uma dose de B12 (vitamina) para me manter”, diz Armstrong. “Mas na realidade eu tenho mais energia do que nunca. Eu tenho um senso de gratidão toda noite, e agora que estamos em tour de novo, eu tenho uma razão para me vestir toda manhã”.


Esse sentimento era claro na passagem de som. Após uma longa viagem vindo da Virginia, a banda explodiu durante várias músicas para um público de somente dois: os filhos do baixista Mike Dirnt, Ryan e Brixton com 6 e 8 anos, respectivamente, que corriam para cima e pra baixo pelos corredores vazios da arena, ao redor de seguranças espantados. Durante ‘King For A Day’ Billie decidiu se juntar a eles, pegando seu microfone sem fio e caçando Brixton pela área permitida, tudo isso enquanto dizia cada palavra da música.


“Vivemos um estilo de vida alternativo, mas dentro dele encontramos a normalidade”, diz Dirnt, que também está feliz em estar em turnê depois de um hiato difícil no qual sua mulher se recuperou de um câncer.


“Eu estava fazendo exercícios insanos, correndo ao redor de um lago em Oakland. Eu parei um dia e comecei a andar e pensei, ‘Por que estou treinando tão duro? Eu não tenho nada pela frente.’ Uma boa razão para tour é ter um grande álbum. Estamos tocando metade disso e os fãs estão amando”.


O show também inclui muito de velhas tradições. Armstrong convida um garoto no palco para cantar ‘Longview’ (ele o faz tão bem que Armstrong pergunta se ele está tentando roubar seu emprego). Ele também traz ao palco uma garota de 16 anos para tocar guitarra em ‘Knowledge’ do Operation Ivy. É uma tática que o Green Day experimentou pela primeira vez em 1995 durante uma dura noite, “Levantou todo o lugar e mudou o show pra mim”, diz Armstrong. Dirnt diz que a jogada só teve resultado negativo uma vez: “Há uns 20 anos atrás, eu deixei um garoto tocar meu baixo, e ele pensou que seria legal quebrá-lo no fim. Fiz tudo pra não quebrar os dentes dele”.


Mas as músicas de American Idiot, conseguem as melhores recepções da noite – especialmente durante a faixa título, quando Armstrong quebra sua promessa de não ser negativo e grita “Foda-se Donald Trump!”


Nos bastidores, Armstrong é cuidadoso ao dizer que ele não está comprando a ideia de que Bush é inofensivo em comparação a Trump. “No que me diz respeito, Bush é um criminoso de guerra”, ele diz, “Com Trump, não temos ideia. No momento é um show de horrores”.


A tour continua até setembro quando a banda toca para 92 mil pessoas no Rose Bowl em Los Angeles. Apesar de estar no Rock and Roll Hall of Fame 32 anos depois do início da carreira, o Green Day ainda está encontrando novas formas de se divertirem toda noite. “Ontem estávamos tocando e o Mike me olhou, e eu joguei esse troço imaginário nele”, diz o baterista Tré Cool. “Ele pegou o troço imaginário em sua boca. Pequenas merdas como essa ainda são legais”.



Por dentro do novo setlist do Green Day

A banda conta 5 pontos altos do show Revolution Radio


Bang Bang’ – o novo single anti-arma-violência rapidamente se tornou o favorito do público. Há muitas explosões, indicado com a imagem de uma bomba no setlist (os sinais de fogo e pirotecnia). “Todo mundo vai a loucura”, diz Dirnt. “É tipo, agora o show começou”.


‘Longview’ “Eu amo ver o Mike e Tré tocando”, diz Armstrong do seu clássico Dookie. “Eu amo ver a musicalidade, ouvir o Mike tocar a linha de baixo”.


‘Minority’ – o single de 2000 ganhou uma nova forma de vida. “Quando o Warning saiu, as pessoas estavam tipo, Que diabos vocês estão fazendo?”, diz Dirnt se referindo à sonoridade folk do sexto álbum da banda. “Agora, é o disco favorito de muitos fãs do Green Day”.


‘Basket Case’ – depois de milhares de performances, Armstrong nunca se cansa do hit de 1994. “É um hino para os esquisitões”, ele diz, “É sobre perder a cabeça. Muitas pessoas tem tido essa experiência”.


Jesus of Suburbia’ – todos os três membros citam esse épico de 9 minutos do American Idiot como seu favorito. Diz Cool “Todos nós temos nossos momentos para se destacar. É agressivo e emocional ao mesmo tempo”.